90º Dia
O que me faria (e o que não faria) comprar o Ka
Faltam apenas 10 dias para o fim do Teste dos 100 Dias com o Ford Ka 1.6 Flex, quase 10 000 km já foram rodados por nós e começo a pensar como um consumidor que precisa decidir logo entre a compra ou não de um modelo. Dentro desse processo de decisão, resolvi elencar pontualmente o que apreciei e o que não gostei no Ka durante esses três meses na redação. Primeiro vou falar da versão 1.6, que está conosco, mas também quero abordar aspectos da 1.0. Vamos lá:
Pontos positivos
Conjunto motor e câmbio: potente, esperto e ágil, ele conquista quem gosta de uma pegada mais esportiva e não faz feio diante de nenhum modelo 1.8 l. Pelo menos em arrancada.
Dirigibilidade: ainda seguindo a receita esportiva, o Ka conquista com sua direção direta e com a rapidez com que “aponta” para as curvas.
Suspensão: bem acertada, ela não deixa a carroceria inclinar muito e dá boa dose de conforto a um modelo popular
Porta-malas: agora maior (são 263 litros), ele é muito prático, já que seu assoalho sem “degrau” facilita a colocação de malas maiores e objetos pesados
Espaço traseiro: melhorou bastante e agora acomoda três pessoas numa boa.
Design: não há como contestar. O Ka agradou às pessoas que vieram comentar conosco sobre ele durante o teste e a maioria na redação. Me incluo aí, apesar de achar que adjetivos como “lindo” ou “maravilhoso” são bem exagerados e um pouco influenciados pelo ar de novidade.
Pontos negativos
Acabamento: não precisamos nem entrar muito em detalhes porque vocês já cansaram de ver reclamações nos posts anteriores. Realmente deixa muito a desejar.
Consumo: achei que ele bebe mais do que devia. Ok, o carro é 1.6 l, não é 1.0 l nem 1.4 l, mas pelo baixo peso (942 kg), deveria gastar menos.
Espaço interno: tenho 1,80 m e me sinto mais apertado dirigindo o Ka do que um Chevrolet Celta ou um Fiat Palio.
Ruídos: ele não é o mais barulhento dos “populares”, mas o som do pneu em contato com o asfalto irrita muito em longas viagens.
Problemas: acho que o Ka teve ocorrências demais para um modelo com 12 672 km. Tudo bem, ele acaba sendo o “pé-de-boi” da redação e leva todos para lá e para cá, mas a lista foi grande: motor morrendo, vidro que não funciona e marcador de combustível danificado já são muito para tão pouco tempo. Você acha o mesmo?
E aí você me pergunta: comprarias o Ka 1.6? Digo: não. Não acho que ele tenha uma relação custo/benefício interessante, apesar de ser um carro interessante. São coisas bem diferentes. E acho que, como a enorme maioria de vocês, também pondero bastante antes de soltar meu rico e suado dinheirinho. Claro que gostar do carro é fundamental, mas analisar o que ele cobra e o que ele entrega também é prudente.
É aí que a versão 1.0 se destaca: por R$ 25 490, ela já traz pára-choques na cor do carro (opcionais no Celta), travas elétricas das portas com alarme e acionamento na chave e abertura interna do porta-malas, que também pode ser acionado no chaveiro.
Na versão 1.0, o Ka seria, hoje, o meu candidato mais forte. Na 1.6, não. E vocês, vão mais de 1.0 ou de 1.6?
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