Mais duas opiniões a respeito da Locker:
Entre bons e maus momentos
Pouco mais de três meses de uso após a sua chegada à revista CARRO, chega ao fim o Teste dos 100 Dias com o Palio Adventure Locker. Foram milhares de quilômetros rodados nas mãos dos mais diversos tipos de motoristas, inclusive eu, que em agosto desse ano, aos 1 804 km rodados, dei o start na avaliação e aos 12 531 km rodados finalizei o teste com a sua segunda medição. Com isso, tenho a dizer:
Sobre o modelo: é fato que o Palio Adventure representa um marco na indústria automobilística, por se tratar de um veículo precursor no segmento “aventureiro” e que trouxe com ele vários outros modelos e versões, sejam eles da própria Fiat (sempre na vanguarda de novos lançamentos) ou de outras marcas como General Motors, Ford, Volkswagen, Renault, Peugeot…
Sobre o carro avaliado: por se tratar de um exemplar que saiu logo na primeira fornada de Locker produzidas, entre bons e maus momentos acho que o comportamento da station wagon ao longo da avaliação foi positivo. Defeitos observados como o ruído vindo do banco traseiro ou mesmo o pedal de embreagem duro são café pequeno perto do que já presenciei durante anos de testes, inclusive se comparados a modelos importados.
Rebato na tecla que todo e qualquer modelo em seu primeiro ano de vida está suscetível a defeitos, que com o passar do tempo são ajustados na linha de montagem. Das vezes que guiei a Locker — e precisei fazer uso do sistema de bloqueio do diferencial das rodas dianteiras — gostei da sua dirigibilidade tanto no on-road quanto no off-road. Acostumei-me com o acerto da suspensão mais compromissado com o conforto do que com a esportividade, que em momento algum comprometeu a estabilidade do carro. E olha que algumas vezes andei forte com a Locker.
O que mais me preocupou foi mesmo a falha no motor perto do final do teste, que não deveria acontecer já que, antes de ser entregue para teste, o carro foi revisado e validado pela Fiat. Mas o pior mesmo veio do pós-venda, quando durante uma das visitas do carro ao serviço autorizado foi feita a limpeza dos bicos injetores. Malho da concessionária, já que os bicos injetores são peças autolimpantes e quando dão defeito devem ser trocados e não limpos. Oferecer e cobrar por uma limpeza de bicos injetores foi um ato falho da concessionária.
Se eu compraria um carro desses? Não. Por um simples motivo: embora a Adventure tenha uma proposta familiar ela ainda é um carro pequeno para mim. No meu caso que tenho dois filhos e preciso levar duas cadeiras infantis o espaço no banco traseiro é restrito como o de um Palio. Para me servir, além de um bom porta-malas (coisa que a Adventure oferece) um carro tem que oferecer espaço interno. Mas recomendo para um casal que tenha um filho e busca aventurar-se uma vez por semana na ida até o sitio ou a casa de praia.
Ou seja, independentemente de preço e relação custo/benefício, quem compra um carro desses gosta do estilo do carro e já tem uma opinião formada sobre a sua utilização. Afinal, quem procura por um carro para o uso off-road diário vai procurar um utilitário 4×4. Para enfrentar as buraqueiras do dia-a-dia na cidade a Adventure Locker cai como uma luva.
Nota final: 7,5
Angelo Treviso, editor-executivo da revista CARRO
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Uma boa opção pelo valor de entrada: R$ 55 100
Olá, caros. Passei dois dias e cerca 50 km com a Locker entre 9 e 10 de julho (15º e 16º dias de teste) e, para não me alongar muito, devo dizer que gostei do carro. Para mim, seu ponto forte é o visual, que certamente é a motivação de muitas pessoas na hora de comprar não só um “aventureiro urbano” como qualquer outro automóvel.
Além do design, me agradou a posição de dirigir mais elevada e o conforto proporcionado pelo ajuste macio e ao mesmo tempo firme da suspensão. O motor 1.8 l de 114 cv (álcool) – a despeito de não ser dos mais modernos e de ser considerado beberrão por muitos – também cumpre facilmente a tarefa de empurrar os 1198 kg da perua.
Isso quer dizer que compraria uma? Depende. Pelo preço de entrada, R$ 55 100, que inclui ar-condicionado, vidros elétricos e direção hidráulica, considero uma boa opção. Por esse valor, você leva um carro novo, com apelo visual, conforto, facilidade de revenda, um bom porta-malas (460 litros) e o sistema Locker – prescindível para a maioria dos compradores, mas, sem dúvida, um diferencial sobre os outros off-roads light.
Agora, cerca de R$ 65 000, apesar da vasta lista de opcionais, acho muito dinheiro para um carro dessa categoria. Se fosse para gastar essa quantia, pensaria em um Mitsubishi Pajero TR4 2.0 flex GLS (R$ 67 990), que oferece a posição elevada de dirigir – como mencionado acima, uma das coisas que mais me agrada –, é um carro compacto e possui nível de acabamento bem superior – nada de rebarbas de plástico à mostra. Sem falar na tração 4×4.
Nota final: 7
Felipe Tau, repórter do portal Carro Online