
Gerson Campos, editor-chefe do portal Carro Online
Confesso que via o Fusion como “carro de tiozão” até pouco tempo. A chegada da nova geração mudou bastante esse conceito, e assumir o volante das versões que ficaram conosco nesses 100 dias ajudaram a moldar uma imagem completamente diferente daquele Ford grandalhão.
O Fusion não faz o meu estilo. Gosto de carros com tocada mais esportiva e por isso escolheria um Jetta. Mas se alguém me perguntar qual dos dois é melhor, hoje recomendaria o Fusion. Ele é maior, mais completo e confortável. Esta qualidade, aliás, é o que mais impressiona no modelo mexicano.
Acompanho o Thiago Vinholes e não tenho pudores ao comparar o conforto do Fusion com o de modelos da Audi, BMW e Mercedes-Benz. Pude viajar com as duas versões avaliadas e fazia questão de abaixar o volume do rádio para conferir o nível de ruído na estrada. A 120 km/h, a sensação é de estar a bordo de um Mercedes mesmo.
Também achava que encontraria uma suspensão mole demais, como é comum em carros feitos para os Estados Unidos. Nem lá nem cá. O Fusion não é firme como um BMW Série 3, mas oferece um balanço que não foge de sua proposta (priorizar o conforto) e ainda transmite boa confiança nas curvas.
Se fosse para escolher entre o V6 e o 2.5, ficaria com o 4 cilindros. É claro que o V6 é mais legal e equipado, mas em termos de custo/benefício, acho que a versão de entrada é mais equilibrada, econômica e não deve muito ao top de linha. Não sentiria tanta falta assim do motor mais forte, já que a pegada esportiva não é a principal qualidade do Fusion, nem do Sync, que considero mais um item de entretenimento que de funcionalidade. Eu lamentaria, sim, as ausências da tração integral e do câmbio sequencial. Como consumidor, porém, não pagaria R$ 15 000 a mais por isso. Mas essa é a visão de quem anda de hatch médio, é claro. Um dono de Fusion certamente tem uma renda que lhe permite extravagâncias desse tipo.
Falando do lado negativo, algumas características presentes nas duas versões incomodaram. O principal defeito, para mim, é a altura do carro. Na entrada de um prédio, por exemplo, senti o assoalho raspar tanto que até parei no meio do caminho. Mas não teve jeito: dar ré seria pior. No fim da rampa, lá vai o spoiler dianteiro encontrar o chão e fazer um ruído que deixou o zelador com dó de mim, o suposto dono do Fusion. Já fiquei chateado apenas como motorista temporário do carro. Se ele fosse meu, teria soltado uns palavrões.
Outros dois problemas são os retrovisores que não rebatem e os vidros que não sobem automaticamente quando se segura o botão do alarme na chave. Por isso, o Fusion não é nota 10. Mas está quase lá.
Notas
V6: 8,5
2.5: 9
Wilson Toume, editor-chefe da revista CARRO
Ao contrário de outras edições do Teste dos 100 Dias, acabei não tendo muito contato com o Ford Fusion. Seja por motivos profissionais ou porque havia outro “candidato a avaliador” nos dias em que poderia rodar com o sedã, me limitei a experimentar apenas a versão 4 cilindros. Mas, no geral, gostei do carro. Em minha opinião, o propulsor de 173 cv satisfaz plenamente quem busca um três-volumes como esse Fusion. Da mesma forma, o espaço interno é digno de elogios. Sinceramente, acho impossível alguém não se acomodar bem dentro do carro. A menos, claro, que ele esteja lotado com cinco adultos de grandes proporções. Mas nesse caso, convenhamos, só uma minivan poderia resolver o problema.
Entretanto, se é espaçoso e confortável, o Fusion 2.5 decepcionou em um quesito fundamental: o consumo de combustível. Lembro bem que, em um dia frio – com o ar-condicionado desligado, portanto – e no qual consegui trafegar pela cidade sem enfrentar grandes congestionamentos, a média indicada no computador de bordo foi de apenas 7,2 km/l. Senti falta, igualmente, de mais itens de comodidade para os ocupantes do banco de trás, como saídas de ventilação/ar-condicionado – equipamento presente até em veículos menos sofisticados.
Por outro lado, o comportamento do carro ao rodar impressionou positivamente. Suave sem ser macio em demasia e extremamente silencioso mesmo sobre piso irregular, o Fusion se mostrou irrepreensível nesse quesito. O mesmo merece ser dito do câmbio de 6 marchas, cujas trocas ocorreram sempre de forma tranquila e sem trancos.
Entre os aspectos que mais me incomodaram no carro da Ford, destaco o grande balanço dianteiro, que faz com que a frente raspe em qualquer valeta ou mesmo em rampas de garagem, e o comando dos limpadores do para-brisa, agrupado na alavanca de seta, o que causou estranheza e dificuldade de adaptação.
Pelos R$ 84 900 que a montadora pede pelo carro – que é produzido no México, vale lembrar – pode-se investir em um Honda Civic. O nipônico oferece menos espaço para ocupantes e bagagem, é certo. Em compensação, a esportividade é superior. Um VW Jetta também seria mais interessante que o Fusion, já que igualmente proporciona esportividade conciliada a conforto.
Se alguém me perguntar qual é o melhor entre esses três sedãs, indicaria o Volkswagen. Mas é preciso lembrar que a minha escolha não significa que os outros dois sejam inferiores. Digamos que têm outro estilo, apenas. Enquanto o do Fusion, particularmente, não me encanta.
Notas
2.5: 7
João Anacleto, editor-executivo da revista CARRO
Já conhecia o Fusion antes de ele desembarcar aqui. Mas acompanhar a sua rotina por 100 dias é diferente de testá-lo em uma avaliação rotineira. “Ter” o carro é diferente de experimentá-lo. Ao final deste Teste dos 100 Dias fracionado, creio que a Ford teve muito esmero na construção do novo Fusion. Tanto na versão V6 como na 4 cilindros, é difícil não se surpreender com a capacidade que o carro tem de lhe tratar bem. Contudo, na minha avaliação indicaria o modelo equipado com motor 2.5.
Claro que o V6 é mais legal de guiar. Ouvir o ronco grave do motor a cada acelerada mais profunda atiça qualquer apaixonado por carro, mas como é uma avaliação na qual cada um de nós é um pouco “dono” do carro, creio que ser racional é a melhor pedida. A começar pelo consumo, de quase 2 km/l a mais do V6, até os valores do seguro que, na média, chega a ser R$ 800 mais barato em favor do 2.5.
Outro ponto que me leva a optar pelo 2.5 no dia-a-dia foi a maneira como eles se comportam na cidade. O principal item de meu descontentamento com relação ao modelo mais potente fica por conta do trabalho dos freios. Quando recorri ao manual do proprietário e vi que a empresa valeu-se do mesmo conjunto, com discos de 300 mm na frente e 279 mm atrás, comecei a entender os motivos de me sentir um tanto inseguro ao conviver com o 3.0. Dos 130 kg que ele possui a mais em relação ao modelo de entrada, 77 kg (60%) estão concentrados no eixo dianteiro. Esse peso extra deveria incorrer na adoção de discos maiores na frente.
Ao 2.5 só falta o sistema Sync, indisponível para a versão. Com ele, o consumidor certamente olharia menos para o V6. Mas, em suma, o Fusion é um carro excelente para quem leva uma vida de executivo e precisa daquele automóvel para ser “o carro da família”. Leva até cinco adultos com espaço de sobra. Para quem guia, só é preciso tomar cuidado em toda e qualquer valeta, guia e buraco. Devido ao excessivo tamanho do balanço dianteiro, ele raspa o para-choque por qualquer coisa. A iluminação também poderia ser melhor. Luzes de xenônio cairiam bem na bela face deste sedã quase completo.
Notas
V6: 8
2.5: 9
Comentários